Uma visão jurídica da Comunicação Persuasiva
Ao entrevistar o Desembargador da Justiça do Trabalho Federal, o dr. José Maria Quadros de Alencar escreveu uma reflexão por email que achei pertinente postar em nosso blog.
"Nós, juízes, temos a pretensão de também fazer comunicação persuasiva.
Explico.
Os juristas acreditam que o direito é uma ciência (não é, é técnica, mas a maioria de nós acredita que é ciência). Por isso tem um método de aquisição da verdade que também se pretende científico. Como direito também é linguagem - e isso muitos de nós também não reconhecem, mas é - adota-se o método da persuasão racional. Ou seja, as provas produzidas em um processo devem ser examinadas por esse método, elas devem ser racionalmente persuasivas. E para isso as petições dos advogados e as sentenças dos juízes devem ser persuasivas. Mas como persuadir se os juristas adotam um jargão incompreensível? O resultado é que terminamos nos afastando daqueles a quem queremos comunicar a verdade que encontramos por esse método.
Felizmente, tomamos consciência disso e até nossas associações e Tribunais começaram um vigoroso esforço de abolição do juridiquês. Dentro de uns vinte anos talvez tenhamos melhorado alguma coisa e nossas decisões passem a ser persuasivas."
Acho que nós, da comunicação, precisamos conversar e trocar mais com os pesquisadores da área jurídica. Urgentemente!
"Nós, juízes, temos a pretensão de também fazer comunicação persuasiva.
Explico.
Os juristas acreditam que o direito é uma ciência (não é, é técnica, mas a maioria de nós acredita que é ciência). Por isso tem um método de aquisição da verdade que também se pretende científico. Como direito também é linguagem - e isso muitos de nós também não reconhecem, mas é - adota-se o método da persuasão racional. Ou seja, as provas produzidas em um processo devem ser examinadas por esse método, elas devem ser racionalmente persuasivas. E para isso as petições dos advogados e as sentenças dos juízes devem ser persuasivas. Mas como persuadir se os juristas adotam um jargão incompreensível? O resultado é que terminamos nos afastando daqueles a quem queremos comunicar a verdade que encontramos por esse método.
Felizmente, tomamos consciência disso e até nossas associações e Tribunais começaram um vigoroso esforço de abolição do juridiquês. Dentro de uns vinte anos talvez tenhamos melhorado alguma coisa e nossas decisões passem a ser persuasivas."
Acho que nós, da comunicação, precisamos conversar e trocar mais com os pesquisadores da área jurídica. Urgentemente!
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